Gestão de expectativas e saúde mental em tempos de pandemia.
Se há algo que interfere com a nossa saúde mental é a forma como gerimos as nossas expectativas. É muito graças a expectativas que vamos, não só, vivendo o dia a dia, planeando o futuro mas também de onde provém grande parte da nossa sensação de realização. Quando as expectativas são demasiado altas é muito difícil sentirmo-nos realizados com a tristeza e frustração a tomarem a domínio do nosso dia a dia. Por outro lado expectativas demasiado baixas levam geralmente a uma vida com pouco preenchimento o que pode resultar também em sensação de frustração, monotonia e falta de satisfação. Não é preciso ser grande conhecedor da matéria para concluir que expectativas adequadas são fundamentais para uma vida preenchida, feliz com saúde e com planos realistas. Mas é muito difícil gerir e criar expectativas de uma forma adequada. É necessário um bom conhecimento do próprio acima de tudo. Em tempos comuns é geralmente aqui que reside a maior dificuldade quando alguém nos procura. Mas de nada serve um bom conhecimento do próprio quando não se avalia adequadamente a realidade externa.
Vejamos por exemplo:
Um bom aluno recebe um resultado de uma prova de 80% e, de acordo com as suas expectativas e trabalho fica decepcionado porque trabalhou para 100% e achava admissível no mínimo 90%. Mas posteriormente ao saber que a prova foi particularmente difícil e que a sua nota foi muito alta quando comparada com as restante adequa a sua expectativa e esvai-se a sua sensação de frustração. Os dias que vivemos hoje são bem mais perigosos do ponto de vista da saúde mental. Isto porque toda a realidade está a mudar. Estamos perdidos nas expectativas e se não reflectirmos todos os dias sobre isto a frustração estará garantida.
Hoje esta pandemia dividiu a sociedade em dois grupos:
Os que devem ficar em casa a teletrabalhar:
Em casa a expectativa é diferente ficamos fechados em família. O teletrabalho numa expectativa inicial poderá ser a tentativa de fazer à distância aquilo que era feito num local dedicado. Mas agora com filhos que em casa têm a expectativa de férias ou de fim de semana cujos professores têm a expectativa de conseguir que eles façam e aprendam o que faziam e aprendiam na sala de aula, professores estes que também têm os filhos em casa e não estão a conseguir gerir as expectativas deles dos filhos e dos alunos. Rapidamente isto pode correr muito mal em termos de saúde mental.
Os que têm que ir trabalhar porque são considerados essenciais nos seus trabalhos:
Destes tudo se espera. Os que produzem bens, os que transportam, os que fazem manter a ordem pública e os que trabalham na saúde sobre os quais agora a expectativa é que sejam “heróis”, os que estão na linha da frente. Não é casual esta associação. É sabido há muito que elevar muito a expectativa do próprio pode levá-lo a comportamentos “heróicos” isto é fazer algo (que se espera bom) ignorando o perigo que enfrenta. E assim se mandam há séculos jovens para combate cheios de vontade de corresponder à expectativa e tantas vezes perdem a vida. E dirijo-me a todos os profissionais em especial aos da saúde. Não são heróis. São pessoas, seres humanos com uma profissão de que geralmente gostam muito e pela qual costumam estar dispostos a uma grande entrega e sacrifício. São pais, são mães, são filhos, são mulheres são maridos são pessoas. Não são heróis. Façam o que sempre fizeram que é trabalhar em prol da saúde com toda a dedicação. Não são heróis! Estão cheios de medo como todos os outros mas vão trabalhar com o sentido de dever que sempre tiveram e cultivaram. Não por serem herois. Não são heróis, não descurem a vossa segurança nem a vossa saúde. Não são heróis nem fazem milagres. Adequem as vossas expectativas que isto ainda agora começou e vai piorar muito. Dentro dias estarão confrontados com uma nova realidade. E apesar de todo o esforço é preciso adequar a expectativa. Não estamos preparados para isto, nunca lidámos com isto e temos que ter noção da realidade que aí vem. Não há herois. Se as vossas expectativas não forem adequadas, se não se prepararem para uma situação em que não vão conseguir ter as condições nem os resultados que sempre idealizaram e para os quais trabalharam, a vossa saúde mental vai ser a próxima sacrificada. E depois disto tudo passar não vão ser heróis vão ser profissionais que fazem o melhor trabalho que podem nas condições que têm.
Como sempre fizeram.
Mas adequem as expectativas em relação à realidade e a vós próprios.

Muito bom!!! Forte abraço Rui Espero que estejas bem!!
Muito bom !!! Espero que estejas bem!! Forte abraço
Muito obrigado, um abraço
Força Rui! Desejo muita saúde para si e toda a sua família. Um abraço. Graziela Carmo.
Estes artigos são muito importantes nos tempos que estamos a viver.👍👍
Muito obrigado, um beijinho.
Great article and true facts here !!!!
And let’s help our professionals medical teams by staying at at home safe !!!
Our grandparents were sent out to war, we got sent home and instructed to stay Indoors (home!!) safe !!!
I’m sure we all can do this together!!!!
obrigado.